“Marcos Arrais dribla com arte, choras, valsas, sambas e ritmos
nordestinos para marcar belos gols”
Folha de São Paulo – Carlos Bozzo Junior
“Arrais está buscando expressão própria no instrumento. Consegue
várias vezes como na trabalhada Solitude, por exemplo.”
O Estado de São Paulo – Mauro Dias
“O violinista, compositor e arranjador paulista estréia em CD já
ostentando maturidade artística”.
Gazeta Mercantil – Luiz Antônio Giron
“Compositor e arranjador, consegue, agora, um disco como
instrumentista. Um trabalho quase solo: o violão protagonista é acompanhado
apenas pela percurssão de Antonio Vicente. E tome samba, choro, sotaque nordestino
e até valsa. Disco bom de ouvir, uma raridade: o som limpo das cordas de
violão.”
Chiques e Famosos - Maurício Kubrusly -
“Arrais não esconde suas raízes brasileiras e influências
eruditas. Entre sambas, choros, ritmos nordestinos e faixas livres, sem estilo
definido, ele demostra boa técnica na execução de belas melodias e harmonias.”
Guitar Player
– David Hepner
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CONTATO
- 9 de novembro de 2008
Livro de Poemas de Marcos Arrais
Silas Correa Leite*
“A poesia informa os poetas/(Assim
como a história os profetas)/Insu-
flando sua flama insurgente…”
como a história os profetas)/Insu-
flando sua flama insurgente…”
(Diversos, Waldir
Salvadore)
Nessa fase pós-emepebelização da chamada nova
poesia moderna brasileira, que às vezes não é nova, não é poesia, não é moderna
e muito menos brasileira, entre cacos e perícias, salvam-se poucos gatos
pardos. Uns e ostras. Há poemas e há letras
de canção. E assim, vice-versos. Nesse preâmbulo, surge aqui, ali e acolá, um
verdadeiro achado entre uma bateia de granizos, na selva de seivas com seus
signos ficantes, entre macadames de panelas pseudo-cults e mixórdias letrais,
mais certos despoemas, por assim dizer. Na velocidade que está a parnafernália
desta abandonada Sampa de tantos brutamontes, em todos os sentidos, tomei de
assento o livro de Marcos Arrais, Velocidade da Carne, e, verdade seja dita, tem
currículo rico – sem trocadilho – o autor ainda jovem e portentoso.
Nascido em 1967 em SP, Físico pela USP, Mestre em
Semiótica, premiado pela APCA 95 como compositor (música instrumental), também
é professor de música formado pela Escola Musical do Município de São Paulo.
Nesse tabuleiro de formação, muito se deve esperar dele. E ele confirma-se. Na
verdade, Velocidade da Carne, além das chamadas “letras musicais” cheias de
sensibilidades reviradas, com Marco Arrais contra-ataca alguma coisa no segredo
de si mesmo; coisa que o aprisiona/liberta (libera?) como uma própria
impossibilidade que ele resgata (ou tenta resgatar) e assim se divulga também
em poemas, como uma espécie de compensação literal, composição poética. E
escreve bonito. Musica/Letra.
-Poesia sobre amor/sexo/morte(…). A poesia não
salva, nem consola (Celso Favaretto). “Entre a natureza e a cultura, o
homem-macaco-marcos tem uma natureza espiritual(…). Com a tocha mágica na mão,
há de iluminar seus caminhos…” (Antonio Vicente Seraphin Pietroforte).
-Ei-lo (fragmento):
Rio tranqüilo, como quem/Entendeu o achado/Uma
grande e destruidora/Gargalhada explode (…)” (In, o Destruidor, pg 17)
-Marcos Arrais é assim: o músico que poeta, e, no
enlivramento quer dizer o indizível, desconversa e desconserva o tácito
incontido (transgressões?), feito um Tarzan (poema da pg 19) que passa pelo
surfista de trem (desgovernado/despossuído(…); na viagem do sangue) e assim
segue tecendo seus desacertos e achados (íntimos) entre deuses e demônios,
compondo também a sua sina sensual entre desarranjos, almas de estúdios, dentro
do possível permitido entre a fronteira do oculto medo que dá-se a ver/ler
(retraduzir, no que se escreve). Afinal, diz ele “Vida é feito/De um
tecido/Muito delicado”(…). O tecido corpóreo da música nem sempre é harmonia e
ritmo. Disfonias. Quem lê um livro lê uma obra-músico? Talvez Marcos Arrais
seja uma espécie de delicado compondo mosaicos resistenciais na metrópole
desvairada com seu violão, sua cabeça, sua sensibilidade ampliada e sua criação
para ir além da possível liberdade. Luta do espírito se adequando em si? Ou uma
fuga palavreira?.
-Há uma morte in/contada em Marcos Arrais, no
acervo letral do seu quadro literário. Uma morte anacrônica, ao mesmo tempo que
quase um paradigma; feito um escape sofredor disfarçado de seu lado sentidor,
compondo pelaí seu oficio de muito bem poetar. Há um transistor na memória? Uma
morte incometida e paradoxalmente incontida (por isso mesmo?), derivando para o
irônico aqui, sensual ali, mas sempre querendo refutar no incontível. A carne é
fraca. A velocidade da carne é arritmia às vezes. Eis a obra. A palavra
tentando decodificar o que a musica não soa porque instrumenta; a poesia é
desarquitetural na contemporaneidade insarada desses tempos tenebrosos da geração
teflon, querendo calor sem aderência. Marcos Arrais escreve como quem quer
tentar decifrar uma esfinge muito além das consoantes, redondilhas, anáforas;
entre chipanzés urbanóides sofríveis, debilitados seres-reses incongruentes. A
musica se arranja. A poesia acaba virando fio-terra. Dispara.
É muito doloroso e triste um desvelo que acaba
delírio em terra de muitos brutamontes; entre o neoliberalismo amoral e
inumano, na era da pós-globalização insana em campos minados por quadrilhas,
estátuas e cofres. Já pensou? Pensar dói. A velocidade da carne disfarça uma
metralhadora cheia de música que por si não soa, mas verseja. Relê a vida por
isso mesmo. Para um bom escritor os sentimentos podem ser ostras. A mesma carne
que aprisiona enquanto epiderme-cela, ao soar (verso e música) dita ritmo de
vida, de releitura de vida, como um assento de muito bem assim registrar seu
tempo e as amarguras de seu tempo pautado em tantos paradoxos.
*Silas Correa Leite, Teórico da Educação, Jornalista Comunitário,
Conselheiro em Direitos Humanos (SP). Pós-graduado em Literatura na
Comunicação. Autor de Porta-Lapsos (Poemas) e Campo de Trigo Com Corvos (Contos
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